Storm Lancers para Nintendo Switch 2 é daqueles jogos que chegam sem pedir licença e rapidamente se tornam uma referência dentro do próprio gênero. Ele não tenta reinventar a roda, mas pega cada elemento que compõe um bom action‑RPG de ficção científica e leva a um nível de polimento que surpreende. A sensação ao iniciar a campanha é de estar entrando em um universo vivo, pulsante, onde cada detalhe da iluminação às animações de combate foi pensado para envolver o jogador de forma quase cinematográfica. O Switch 2, com seu hardware mais robusto, finalmente permite que um jogo desse porte rode com fluidez, e Storm Lancers aproveita isso ao máximo.
A narrativa é o primeiro ponto que prende. O jogo se passa em um futuro distante, onde a humanidade depende de unidades de elite conhecidas como Lancers para enfrentar uma ameaça interdimensional chamada Riftspawn. A história não é apenas pano de fundo: ela se desenvolve organicamente enquanto o jogador avança, com diálogos bem escritos, personagens carismáticos e reviravoltas que realmente impactam a jornada. O protagonista, personalizável em aparência e estilo de combate, não é um mero avatar silencioso; ele reage, questiona e se envolve emocionalmente com os eventos, o que cria uma sensação de pertencimento ao universo. A construção de mundo é rica, com culturas, facções e conflitos internos que tornam tudo mais crível.
O combate é, sem dúvida, o coração do jogo. Storm Lancers combina ação frenética com elementos táticos, exigindo que o jogador pense rápido e se adapte constantemente. Cada Lancer possui um exoesqueleto modular, permitindo combinações de armas, habilidades e melhorias que mudam completamente a forma de jogar. Há builds focadas em velocidade, outras em dano bruto, outras em controle de área, e o jogo incentiva a experimentação. A sensação de impacto é excelente: golpes pesados fazem a tela tremer, projéteis deixam rastros luminosos e inimigos reagem de forma convincente aos ataques. A inteligência artificial também surpreende, com inimigos que flanqueiam, recuam, se reorganizam e até tentam emboscar o jogador. Em batalhas maiores, isso cria um caos controlado que é extremamente satisfatório.
A exploração é outro ponto forte. Os cenários são amplos, variados e cheios de segredos. Há cidades futuristas densamente povoadas, desertos cristalinos, florestas bioluminescentes e bases militares abandonadas. Cada área tem sua própria identidade visual e sonora, e a trilha dinâmica acompanha o ritmo da ação, aumentando a imersão. O jogo recompensa a curiosidade: cavernas escondidas revelam artefatos raros, ruínas antigas contam histórias do passado e missões secundárias surgem de forma natural, sem parecerem tarefas repetitivas. A verticalidade também é bem explorada, graças ao jetpack integrado ao exoesqueleto, que permite saltos longos, planadas e manobras aéreas que tornam a movimentação um prazer por si só.
O sistema de progressão é profundo sem ser confuso. Cada missão rende recursos, experiência e peças para aprimorar o Lancer. O jogador sente, de forma muito clara, a evolução do personagem: habilidades novas realmente mudam o estilo de jogo, e melhorias no equipamento fazem diferença perceptível no campo de batalha. O Switch 2 contribui com tempos de carregamento quase inexistentes, o que mantém o ritmo sempre fluido. A interface é limpa, intuitiva e pensada para o uso tanto no modo portátil quanto no dock, algo que muitos jogos ainda têm dificuldade em equilibrar.
O modo cooperativo merece destaque. Jogar Storm Lancers com amigos transforma completamente a experiência. As sinergias entre diferentes builds criam momentos épicos, como um Lancer de suporte amplificando o dano de um atacante enquanto outro controla hordas de inimigos com habilidades de área. A comunicação se torna essencial, e o jogo recompensa estratégias bem coordenadas com bônus e desafios exclusivos. Mesmo assim, o jogo não pune quem prefere jogar sozinho; a campanha solo é completa, equilibrada e igualmente envolvente.
Visualmente, Storm Lancers é um espetáculo. O Switch 2 finalmente entrega iluminação volumétrica, texturas de alta resolução e efeitos de partículas que antes eram impensáveis em um portátil. O design das armaduras, das criaturas e dos cenários é inspirado e cheio de personalidade. Nada parece genérico. Cada inimigo tem um comportamento distinto, cada arma tem uma animação própria e cada ambiente transmite uma sensação única. A direção de arte acerta em cheio ao misturar tecnologia avançada com elementos quase místicos, criando um universo que parece ao mesmo tempo familiar e alienígena.
A experiência do jogador é marcada por um equilíbrio raro entre intensidade e contemplação. Há momentos de pura adrenalina, com batalhas gigantescas contra chefes colossais, e momentos de calma, onde o jogador simplesmente observa o horizonte de um planeta desconhecido ou conversa com NPCs que enriquecem a narrativa. O jogo sabe quando acelerar e quando desacelerar, criando um ritmo natural que mantém o interesse do início ao fim.
Storm Lancers é, no fim das contas, um daqueles jogos que definem uma geração de console. Ele entrega profundidade, emoção, desafio e beleza em uma combinação que poucos títulos conseguem alcançar. Para quem gosta de ação, ficção científica e mundos ricos em detalhes, é uma experiência que fica na memória. É o tipo de jogo que faz o jogador pensar sobre suas escolhas, sobre os personagens que conheceu e sobre o universo que explorou, mesmo depois de desligar o console.





