The Empty Desk, lançado em 17 abril para os consoles pela CheesecakeGames, é o primeiro capítulo da saga Detective Bennett: Solved Cases. O jogo coloca o jogador na pele de Thomas H. Bennett, um veterano detetive de homicídios prestes a se aposentar, mas que recebe um último caso: a morte misteriosa do magnata Arthur Blackthorn e o desaparecimento de sua filha Emily. O cenário principal é a sede da empresa Blackthorn & Co Insurances, um prédio corporativo que rapidamente se transforma em um labirinto surreal, onde tempo e espaço se distorcem e cada sala esconde segredos perturbadores.
A narrativa é o ponto central de The Empty Desk. O título explora não apenas o mistério policial, mas também o desgaste emocional de Bennett, refletido no simbolismo do “escritório vazio”. O jogo transmite a sensação de burnout e solidão, enquanto o protagonista enfrenta não apenas pistas concretas, mas também manifestações sobrenaturais que desafiam sua sanidade. Essa dualidade entre investigação racional e terror psicológico cria uma experiência envolvente e imprevisível.
A estrutura é dividida em nove capítulos, cada um com ambientes que se transformam em loops temporais. O jogador precisa coletar evidências, como documentos selados ou objetos escondidos, utilizando uma câmera como ferramenta principal. Essa mecânica de “clue-gathering loop” reforça a atmosfera de repetição e paranoia, já que os cenários mudam sutilmente a cada ciclo, aumentando a tensão. O design lembra clássicos de horror narrativo, mas com foco maior na investigação e na construção de suspense do que em sustos gratuitos.
Visualmente, The Empty Desk aposta em ambientes claustrofóbicos e iluminação sombria, criando uma estética que mistura realismo corporativo com distorções paranormais. O áudio é igualmente importante: vozes distorcidas, ruídos repentinos e diálogos enigmáticos intensificam o clima de inquietação. Há também a presença de uma figura fantasmagórica feminina que guia Bennett em determinados momentos, revelando sua identidade apenas no final, o que adiciona uma camada emocional à trama.
A duração média é de três a quatro horas, tornando-o um jogo relativamente curto, mas intenso. Críticos destacam que a escrita é sólida, embora em alguns momentos possa soar previsível. A repetição de mecânicas pode cansar jogadores menos pacientes, mas para quem aprecia narrativas densas e atmosferas psicológicas, o título entrega uma experiência memorável.
No geral, The Empty Desk é uma obra que se destaca pela forma como combina investigação policial com elementos sobrenaturais e reflexões sobre desgaste emocional. É um jogo que exige atenção aos detalhes e disposição para mergulhar em uma narrativa lenta, mas recompensadora, capaz de deixar marcas mesmo após o término da história.




