Port of Jumanah chama atenção ao utilizar uma fórmula conhecida dos roguelites dentro de uma ambientação pouco explorada nos games. Desenvolvido pela Red Dunes Games em colaboração com a Agate, o título se inspira na tradição do mergulho em busca de pérolas do Golfo Arábico para construir uma aventura colorida, divertida e cheia de personalidade.
A história acompanha Mansour, um jovem mergulhador cuja vida muda completamente depois de encontrar uma misteriosa concha negra. Movido pela curiosidade, ele abre a concha e acaba libertando seis Pérolas Negras, que se espalham pelo oceano e provocam uma série de acontecimentos estranhos.
As criaturas marinhas tornam-se agressivas e diferentes regiões passam a sofrer as consequências do ocorrido. Mansour então precisa encontrar as seis Pérolas Negras e corrigir o problema que ele mesmo desencadeou. Apesar da ameaça, a narrativa mantém um tom bem-humorado, principalmente graças aos personagens excêntricos encontrados durante a jornada.
Entre uma expedição e outra, retornamos ao Porto de Jumanah, que funciona como a base da aventura. É possível conversar com personagens, melhorar equipamentos, desbloquear recursos e preparar Mansour para os próximos mergulhos. Essa evolução ajuda a transmitir uma boa sensação de progresso.
Debaixo d'água, Port of Jumanah mistura exploração e combate. Mansour pode utilizar ataques corpo a corpo, esquivas e equipamentos para enfrentar inimigos à distância. Os controles respondem bem e as batalhas são simples de compreender, mantendo um ritmo agradável durante as expedições.
Uma das mecânicas mais interessantes está no oxigênio. A reserva diminui enquanto permanecemos submersos e também pode ser afetada durante os confrontos. Isso cria situações nas quais precisamos decidir se vale a pena continuar explorando atrás de recursos ou procurar segurança antes que seja tarde demais.
As expedições fornecem materiais para melhorar equipamentos e fortalecer Mansour, enquanto diferentes integrantes da tripulação podem oferecer benefícios. É um sistema relativamente simples, mas que combina muito bem com a proposta mais acessível do jogo.
Visualmente, Port of Jumanah também conquista. A apresentação 2.5D traz personagens expressivos, cenários submarinos coloridos, corais, ruínas e criaturas bastante peculiares. Existem algumas características que lembram Cult of the Lamb, mas a inspiração na cultura do Golfo Arábico e o universo submarino ajudam o jogo a desenvolver identidade própria.
Depois de várias expedições, algumas situações podem começar a se repetir e jogadores acostumados com roguelites mais complexos talvez sintam falta de maior profundidade nas combinações e melhorias. Ainda assim, o ciclo de explorar, combater, coletar recursos, retornar ao porto e ficar mais forte funciona muito bem.
Port of Jumanah consegue transformar uma tradição ligada à busca por pérolas em uma aventura roguelite carismática e diferente. Seu combate acessível, gerenciamento de oxigênio, progressão e direção artística formam uma experiência divertida, especialmente para quem procura um roguelite menos intimidador e com personalidade própria.




